O barril de petróleo da OPEP caiu para um mínimo histórico


O petróleo da OPEP teve uma queda abismal esta quarta-feira, registando um preço de 16,87 dólares por barril, uma queda de 25,03% em relação ao dia anterior. Este é o valor mais baixo registado desde o final de 2001.

A queda da cotação do barril de referência da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), acentuou ainda mais o afundamento que começou depois da pandemia do Covid-19 na China. A 6 de Janeiro o pico do preço era de 70,87 dólares por barril, ou seja, mais 54 dólares que o preço atual. Uma queda de 76% quando comparados os preços de 6 de janeiro e os de 1 de abril.

O preço do barril só registou um preço tão baixo em dezembro de 2001, depois dos atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados unidos.

Com a tentativa de reduzir a propagação da covid-19, a redução de voos é muito maior do que a registada em 2001, e ainda conta com várias limitações de deslocação e distanciamento social na maior parte do planeta.

Toda esta situação refletiu-se numa redução significativa da procura por petróleo a nível mundial. Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE) escreveu no Twitter que “O petróleo viveu muitas crises, mas nenhuma tão feroz como a atual”. Fatih considerou ainda que esta crise vai parar muitas produções e irá limitar o investimento na indústria, causando “repercussões no setor energético, na economia e no comércio em geral”.

Nesta semana vários relatórios confirmaram que o líder natural da organização (OPEP), a Arábia Saudita, estava a parar o investimento no meio da “guerra de preços” provocada pelo fracasso das negociações com a Rússia na tentativa de manter os cortes da produção de petróleo.

Quando a OPEP e os seus aliados se reuniram em Viena a 6 de março, acabaram por não chegar a acordo pela recusa de Moscovo dar permissão para um novo corte na produção para combater a contração da procura causada pelo covid-19.

Na reunião, os 23 países produtores de petróleo, também não conseguiram chegar a acordo sobre o prolongamento dos cortes atuais que acabaram a 31 de março.

Segundo avançam os analistas, o colapso é consequência da procura recessiva e da oferta em alta. Este colapso no setor do petróleo pode levar muitas empresas de mineração à falência, especialmente as empresas americanas de petróleo de xisto.

Este golpe afetou principalmente os países que são dependentes das receitas geradas pelo ouro negro - Venezuela, Guiné Equatorial, Arábia Saudita Irão, Iraque, Argélia, Angola, Congo, Gabão, Kuwait, Líbia, Emiratos Árabes Unidos e Nigéria -, todos membros da OPEP.

Além dos membros independentes, também os produtores independentes como o México, Brasil, Equador, Rússia ou Colômbia, estão a ser afetados com a crise da indústria petrolífera.

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